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terça-feira, 12 de novembro de 2013
E vou me revirando em minha própria cova...
Trapos, mulambos, garranchos,
rasuras, rabiscos, gravetos,
escamas da pele que sempre tive
mesmo antes de ter essa pele
que corre mundo,
que corre noites e dias,
cópias, fotografias,
sertões veredas,
desertos submersos
na cartilagem
desse que colecinou
punhados de palavras,
incontáveis sons,
suores e sabores
Sempre bem perto da terra,
fincado no céu,
na sola dos pés do ar,
na arte que o fogo bebeu
E vou me revirando
em minha própria cova...
de arame e sonhos,
de geleia de corações
e nuvens cor de rosa,
nuvens de chuva,
nuvens da providencia
espiritual,
do arco que arranca
das trevas de um quase sem vida
( edu planchêz )
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Estrela desenhada por Eugênio Planchêz
(pintura de Eugênio Planchêz )
Estrela da sorte, estrela de algodão,
estrela rosada, estrela do tudo ou nada,
estrela movida pelas pontas de meus dedos,
pelas larguras do meu rosto,
estrela de papel de arroz,
estrela de feijão temperado
com alho e hortelã,
estrela do ar, estrela da água
de meus olhos, estrela da beleza
de teus pés, estrela de meus companheiros
Estrela estática do jogo de damas,
estrela que se move no tabuleiro
onde correm as figuras do xadrez,
estrela da lama
que está há décadas nos tênis
do menino Lô Borges,
estrela de Milton Nascimento,
estrela de Luiz Gonzaga,
estrela de Jim Morrison,
estrela de Eriberto Leão,
estrela minha, estrela tua
abraçando estrelas
Estrela da alma da coisa que não vemos,
estrela feitas de baton e purpurina,
estrela de lábios de mulata, de boca de colombina,
estrelas do carnaval,estrela das festas,
das vitórias absolutas
Estrelas da minha banda Blake Rimbaud
cobrindo todos os céus do planeta
para a alegrias das letras
que uso para escrever
essa fábula de estrelas,
estrela de meu filho
tocando sua guitarra
sob os olhos do Evereste
Estrelas, muitas
Estrela de minha mãe,
de meu pai, de meus irmãos
e irmãs, estrela lá de casa,
de tua casa, estrela do quintal
Estrela da dança capoiera,
estrela de maio, de novembro
e janeiro, estrela do dia de sol,
estrela dos temporais
Estrela aberta, estrela fechada,
estrela do garfo, estrela da cara,
estrela correndo por caminhos desenhados
pela pena do desenheista
Leonardo Davinci,
estrela pintada por Eugênio Planchêz...
( edu planchêz )
domingo, 10 de novembro de 2013
05h48
"Feto de puta", eu,
artista,
o Deus da Caneta,
a trama armada por Ulisses,
Henry Miller e Anais Nin
Tudo no céu da punheta,
nos assombros urbanos,
nos "cataclismas carnavais"
das tuas luas vermelhas,
dos triângulos pendidos
nos Arcos da Lapa futura
Por todo o tesão,
por essa manhã com sabor
de noite black,
nas alturas que as indomáveis
palavras nos levam
"Vem correr perigo",
olhar com força
para os olhos da lagosta
estampada na pele das rãs
das folhas do jornal,
nas pedras das folhas
do profundo entendimento
( edu planchêz )
sábado, 9 de novembro de 2013
AZUL
Por essas horas,
ouvindo "Coração Selvagem",
longe dela, perto de mim,
ao lado do perfume...
As quatro e cinquenta e três,
as quatro e cinquenta e quatro,
no relógio, meu coração, não anda;
nesse carro, vento e velocidade,
beijos, grãos de areia,
o teu rio barrento, a linha do Equador
de todas as nossas viagens
Na Chapada do Corisco,
o Anjo Torto de longos cabelos
conheceu as altas voltagens
que andam me procurando
Meu bem,
na taça de cerveja tenho uma pérola
para você usar como lanterna
por dentro da noite,
para me achares nos lençóis do céu
Minha casa, o céu,
meu reino,
o que você usa para se manter azul
( edu planchêz )
Por morar na chuva
Em nove de novembro do vigente ano,
me engano achando que tenho um amor,
que tenho amores...
e chove forte nos alto-falantes
e no tempo que ainda não vivi,
no tempo que estou vivendo,
dentro dos raios dos pássaros
que cantam envolvidos pela chuva
Estou envolvido pela chuva,
pelas âncoras
trazidas pela águas celestiais;
chove dentro e fora de mim,
chove nos clarões do instante,
e eu vou do nada ao nada,
das folhas desprendidas,
aos vales do muito distante
Tardia é essa chuva?
A resposta é outra:
chegará antes por motivos orgânicos
que só a a terra compreende,
que só o calor opaco
das madeiras sabe guardar
Me multiplico em ilhas,
em crostas, em monolitos,
em correstes siderais,
por morar na chuva,
por ter e ser a chuva
( edu planchêz )
seios
Por direito,
o cinema de meu (de nosso) cinema...
é projetado nas paredes de tuas cavernas,
nas pétalas da vermelha rosa que tens
entre os mamilos,
entre os hemisférios
Segue a luz, as cenas imagens,
penetrando tudo,
todas as partes da flor,
todas as partes
Pelos hemiférios,
pelas cavidades,
nos vãos selvagens teus...
Eu,
apenas um,
todos,
aqui na ponta do continente,
nos bicos de teus seios trimensionais,
apertando tuas mãos contra meu pau
( edu planchêz )
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
As maiores e melhores delicias
Diante da lei sagrada
do grande encontro,
da estonteante florada,
das toques milimétricos
da varinha de condão de Sininho...
não passo de neve derretida,
de sorvete de creme com chocolate
e passas, de pave de amendoim...
As maiores e melhores delicias,
tem nome e não tem,
é a voz da pele
que conversa com a voz da pele
Quase tudo ou tudo sei
sobre o manusear amoroso...
Vinicius...Neruda...Edu Planchêz...
Senhorita, cá estou, cá estamos,
ao brinde, ao celebrar...
pelas ruas de nossos corpos de sêmem,
pelas coroas de lirios
paridas no berço da máxima ebulição
( edu planchêz )
Árvore
Não li todos os livro que queria, que tenho,
me sinto pequeno
diante dos que estão em minha estante
Em minhas mãos, tenho "A montanha mágica"
de( Thomas Mann ), há poucos centimetros..."Eneida" de Virgílio...
Estou passando a vida a limpo,
largando coisas,
retomando o que nunca deveria
ter ficado de lado
Houve tempo perdido, houve tempo ganho,
houve tempo, haverá tempo,
que tempo?
Sou mesmo pequeno, mínimo,
ínfimo, minúsculo,
um pontinho,
um nada que precisa chorar
e renascer
Nessa noite, volto para os duendes,
para as flores e suas fadas,
para os pássaros do Cacique Arranca Toco,
meu padrinho, guia de meu pai,
mentor de tantas alegrias,
gratidão!
Sei que hoje posso voltar a abraçar
as generosas árvores,
mergulhar nos nectares do inconsciente,
nas dimensões mais profundas
sem o medo e o risco de me perder
como um dia me perdi para sempre,
e para sempre me encontrei,
cheguei aos meandros dos desertos,
aos oásis de meu mestre
do espírito humano
( edu planchêz )
OITO
O número oito deitado é o símbolo do infinito
multiplicado no meu compreender,
o universo que me vê e que eu não vejo,
me chama e não me chama
porque sou raio motriz
de tudo que se move e não se move
Uma moeda, duas moedas,
um circulo, dois círculos,
meu olho e teu olho
O número oito, em pé,
deitado, de lado...é um símbolo,
um signo, é...o que mesmo?
Outro dia, estava eu e Brás Cubas
pelas terras da Matemática
de Monteiro Lobato...
era meio-dia e o sol...
ainda estava pequeno,
bem no topo de nossas cabeças:
Oito!
( edu planchêz)
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Do abismo ao céu
Ainda sentado na panela do abismo,
logo à abaixo, as labaredas,
o fogo, a água fervente,
as brasas, o licor de café,
as balas de aníz...
Estou a contemplar os gomos
da laranja do meu inferno,
as sombras que me puseram de quatro,
de oito, de nove milhões...
Chumbo derretido sob o peito
da planta mãe de todas as plantas,
eu, o simples mortal,
o espírito brincalhão,
a criança que nina as estrelas,
o arco esticado,
a flecha arremessada
É nessa hora que os portões da prisão
de Creta, se abrem
( edu planchêz )
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